Eu ODEIO Programar, e agora?

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Toda a vez que eu entro no laboratório de informática da escola eu desanimo geral!

Fico ali a aula inteira sem fazer nada!

Abro o Visual Studio, crio o projeto do jeito que o senhor me pediu mas nada saia da cabeça.

Eu até consigo fazer as coisas que o senhor passa na lousa porque é fácil de entender… Também!!! Você fazendo é fácil!

Tipo: Crie um algoritmo que calcule a média de dois números e depois imprima o resultado na tela.

Só que quando o senhor passa o exercício valendo a nota sempre é mais difícil!

Eu desisto e fico mexendo no Facebook pra matar o tempo até dar o final da aula.

Eu odeio programar!!!

Isso foi o exato relato de um ex-aluno da disciplina Lógica de Programação que eu ministrei na universidade.

Ele tinha um verdadeiro pânico! Travava nas provas e exercícios pra nota…

Não tinha jeito! Eu não conseguia fazer aquele rapaz entender de forma alguma a matéria.

“Dá um branco na hora…” Como ele dizia.

Se você também não gosta de programar ou tem sérias dificuldades sobre o assunto este será o artigo que vai salvar a sua pele.

Eu também gravei o vídeo abaixo onde falo mais sobre o assunto:

E antes de falar dos possíveis culpados e soluções para esse tal “pânico por programação” vamos remeter a uma pergunta fundamental que talvez você nunca tenha feito para si mesmo.

Porque você faz algo que não gosta?

Essa foi a exata pergunta que eu fiz para este aluno. E sabe o que ele me respondeu?

”Porque eu gosto de computação… Gosto de modelagem de personagens de games! Só não curto programar.”

E ainda acrescentou: “Eu quero trabalhar em fazer jogos preciso terminar o curso.”

Realmente ele era o cara em modelar personagens. Então “burro” ele não era.

Atendo a isso, ao longo dos vários bimestres eu percebi que é muito comum nos cursos de TI os alunos preferir games, redes, hardware, banco de dados ou suporte ao invés de programação.

Se esta é a sua condição atual leia este artigo até o final e verá que que nem tudo está perdido.

Senão é faça um favor para mim e para você, pare de ler agora e siga o meu conselho:

A vida é curta demais para viver o sonho dos outros. Não espere amanhã para você trancar a faculdade de TI e procurar algo melhor para você.

Ok! Então se depois desse “conselho” você continua lendo eu irei entender que você realmente quer sair deste “buraco negro” e precisa de ajuda. Certo!?

Ótimo!!! Então vamos lá!

Antes de tudo: a culpa não é sua!

A maioria esmagadora dos professores das faculdades ensinam muito mal. Não porque eles não sabem, pelo o contrário!

São pessoas altamente competentes, pós-graduados e até doutores em suas respectivas áreas.

Só tem um problema aí…

A grande maioria dos professores não sabem porque eles estão te ensinando isso.

Algum dia um dos seus professores explicou pra que serve a fórmula de Bhaskara?

Uma vez na 5ª série eu perguntei isso para um professor e sabe o que ele me respondeu?

”Você não entende ainda… Mas um dia você vai precisar disso!”

Na programação acontece a mesma coisa!!! Você aprende na exata sequencia alienada:

  • Lógica Booleana
  • Lógica de Programação
  • Algoritmos
  • Programação Básica

Você “passa na matéria” decorando da apostila o for, while, if, else e qualquer outra inutilidade linguística sem nem saber para que serve.

Até o dia em que o professor de Programação Orientada a Objetos entra na sala explicando que as classes Cachorro, Gato, Macaco herdam da classe Animal.

Ahhh elas herdam porque o cachorro late, o gato mia, o macaco grita e todos os animais precisam respirar e comer. Logo é mais fácil adicionar um método público a classe Animal para ficar mais “bonito” e de fácil manutenção futura.

Este mesmo professor que te ensinou que o gato mia (excelente descoberta por sinal) pede para você desenvolver um algoritmo para a cura o câncer utilizando polimorfismo e todas as parafernálias de POO em 40 minutos.

Faltando 5 para acabar, ele fala assim: “turma vamos lá isso é molezinha hein!

Claro! É muito fácil! Inclusive depois do exercício você vai escrever um artigo científico.

Seria muito mais interessante se soubéssemos o porque antes do como.

“Este é um foguete e precisamos ir a Lua, mas para conseguir anexar este componente aqui precisamos de uma chave de fenda.”

“Esta chave de fenda aqui nas minhas mãos funciona dessa forma bla bla bla…”

Esta seria uma verdadeira aula sobre uma chave de fenda. Não é mesmo? E de quebra você iria ter um foguete construído – um projeto real.

Claro que o exemplo do foguete é um exagero, contudo ilustra bem o que seria uma aula dos sonhos.

Infelizmente esta realidade está um pouco longe e você precisa resolver o seu problema agora.

Então o que fazer para conseguir ir bem na próxima aula de programação?

Motivação

Reflita: O que te motiva a ação?

No caso do meu ex-aluno era modelar personagens de games.

O seu pode ser outra coisa, não importa muito, somente foque nisso!

Lembra daquelas cenas de filmes em que aparece um presidiário? Sempre temos aqueles “pauzinhos” riscados nas paredes das celas…

Estes riscos lembram eles de uma coisa: a data de saída da prisão.

Claro que a escola é muito melhor do que isso, mas se você odeia programação os laboratórios de informática são quase uma cela (por favor não risque as paredes) 🙂

Aqui a minha dica da minha mãe para isso, ela se chama Glória, como todas mães elas sabem das coisas:

Se você precisa fazer algo que não gosta faça isso logo.

Ela não é neurocientista e tão pouco estuda esse assunto.

Por sabedoria popular ela descobriu algo que a ciência comprovou a algum tempo: Todo ser humano tem uma reserva motivacional e ao longo do dia esta reserva vai se esgotando.

Sabendo de tudo isso comece imediatamente a:

  1. Focar na sua motivação – o que te motiva a ação. Essa motivação será o seu injetor de ânimo quando tudo parecer perdido. Escreva no seu caderno e onde mais possa ler uma mensagem que possa te lembrar o porque você está fazendo isso todos os dias da sua vida; e
  2. Fazendo o que deve ser feito: encare o monstro logo antes que ele te coma ou pior, antes que você perca o bimestre.

Bom agora que você entendeu a estratégia da motivação e do foco nestes 2 passos simples vamos a ação!

O que fazer quando você odeia programar mas precisa concluir o curso

Transforme tudo isso num jogo.

A 6 meses atrás eu mal conseguia dar a volta no quarteirão andando.

Estava totalmente sedentário!

Pesando 20Kg acima do meu peso ideal eu já estava entrando em uma faixa de atenção do IMC: o sobrepeso.

Foi então que eu comprei o meu tênis uma roupa de ginástica a fui andar por aí…

Adivinha!? Não passei do primeiro dia!

Tentei vários horários diferentes: de manhã a cama parecia que me abraçava em um calor materno e confortante. A noite o sofá parecia que me puxava em uma atração muito mais forte que a gravidade, eu mal conseguia me levantar.

Depois de algumas semanas nessas condições psicológicas miseráveis eu dei o primeiro passo e tomei uma decisão importante:

Comecei pelo começo, do zero.

1… 2… 3… Km e fui aumentando ao longo dos meses.

Depois de algum tempo refletindo eu entendi o bloqueio: tinha a péssima mania de me comparar a um amigo que já corria a anos. E pensava nos 10 Km que ele corria todo dia.

Devemos ser melhores que nós mesmos ontem, esqueça aquela pessoa que está muito além de você.

No mundo sempre haverá pessoas melhores e piores que você.

Mas mesmo assim… Perdendo peso rápido e progredindo isso era quase que o laboratório de informática para você. Eu odiava aquilo tudo!

Talvez nessa altura do artigo você esteja me perguntando: o que essa história tem a ver com um jogo cara!? Calma que eu te explico.

No meio dessa confusão toda eu cai de paraquedas em um post do Facebook que falava sobre Gamification (nem me lembro do autor).

Gamification é um conceito que vem sendo aplicado pelas empresas que a galera dos jogos já sabe a anos:

Todo jogador começa na primeira fase e vai evoluindo. Até chegar naquela fase onde existe um “chefão”. Aquele personagem que marca a passagem para mais uma série de desafios.

Essa é a receita clássica dos games 🙂

Uma parte desse artigo do Facebook que eu li comentava que para tornar a nossa vida mais “fácil” devemos dar incentivos lúdicos ao nosso cérebro.

Rotina + Recompensa + Foco = Bons hábitos

Adivinha onde o Gamification entra na fórmula acima?! Na recompensa!

Eu transformei tudo em um joguinho…

Primeiro quilometro valia 10 pontos, os seguintes valiam 3. Correndo valia o dobro de pontos.

O meu personagem “chefão” era o frio e a chuva.

Nesses dias eu vestia a minha “armadura” que era uma blusa de correr e com uma motiva.ação espartana vencia a preguiça.

Havia até uma trilha sonora especial!

Não precisou de mais de 2 meses, ou melhor 1 bimestre, para meu cérebro incorporar a mudança e transformar exercício em um hábito.

Eu fazia isso porque tinha que ser feito! Na vida não dá para fazer o que você ama 100% do tempo.

E esse é o exato modelo mental que você vai usar para vencer esse personagem que já vem te derrotando faz tempo!

Detonado – o passo a passo para derrotar o “chefão” programação de computadores

Vencer ele não tem segredo algum. Tem que insistir.

Comece aprendendo por alguns exemplos reais, por exemplo , exercícios práticos que envolvam situações do seu cotidiano.

Lembre-se da seguinte fórmula: Rotina + Recompensa + Foco = Bons hábitos

  • A rotina você já possui, a faculdade.
  • Foco você também possui, é a motiva.ação (por isso você escreveu ela no seu caderno).
  • Agora a recompensa você irá montar um pequeno plano de Gamification. Comece algo bem simples que envolva pontuação e um prêmio, por exemplo, se eu conseguir X pontos eu irei fazer algo que eu adoro final de semana (jogar, distrair, etc).

Essa é a minha sugestão de pontuação:

  • 5 pontos por sair do zero – criar um projeto e iniciar.
  • 10 pontos por concluir um exercício do nível easy, 15 pontos para middle e 20 para hard.
  • 20 pontos por realizar uma pergunta ao professor.
  • 50 pontos por cada exercício ou prova entregue.

Lembre-se sempre de anotar a sua pontuação em um pequeno placar no seu caderno da escola.

Ao final de toda a semana você irá apurar a sua pontuação e se você ultrapassar no mínimo 80 pontos poderá usufruir de algo que gosta no sábado a tarde.

Novamente, isso é a minha sugestão.

Mas antes de adquirir pontos você deve passar pela primeira fase.

Primeira fase – admitir a sua dificuldade

Quando você se compromete consigo mesmo e depois publicamente o seu nível de comprometimento aumenta de uma forma assustadora.

O primeiro passo e o mais importante é ser honesto com o seu professor.

Fale para ele do interesse em progredir e admita as suas dificuldades. Mesmo que você esteja no final do bimestre!

Isso irá ativar um sentimento de colaboração mútua.

Você vai ver! Depois dessa conversa honesta tudo irá mudar.

Lembrando sempre: a conversa com ele deve ser honesta, qualquer tentativa malandra de ganhar nota será percebida rapidamente.

 

Conclusão

Foco e concentração no que te motiva. Isso é que irá realmente salvar a sua pele e seu bimestre.

Transforme sua dificuldade em um jogo para se auto motivar.

Seja honesto com você e seu professor. Admita publicamente a sua dificuldade.

Tenha sempre em mente que essa será uma dificuldade passageira, então vença ela logo!

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